18 de dezembro de 2011

Crónicas dos Leitores


Caros Colegas,

Depois de uma vida ou quase, totalmente dedicada ao sector portuário e em concreto ao Porto de Aveiro, sacrificando não poucas vezes, a minha vida pessoal e familiar, perdida a oportunidade de ver crescer os meus próprios filhos, de acompanhar os meus amigos nas mais diversas ocasiões, sempre com o intuito, não só de melhorar a minha condição financeira e com isso a minha própria vida, mas, também disponibilizando o meu saber e trabalho, na senda do crescimento do próprio Porto e da empresa com a qual colaborei entre os dias 1 de Janeiro de 1991 e 9 de Novembro de 2009. Dessa só restará, para a história o nome, VOUGAMAR – Operadores Portuários, SA.
Faço parte de um grupo de cinco pessoas, que ficarão para sempre como os primeiros trabalhadores portuários desempregados em Portugal, de facto a insolvência da empresa VOUGAMAR, marcou o início de um movimento, que agora é repetido pela ETP – Aveiro, de pedido de insolvência de empresas ligadas ao sector portuário.
Para o Porto de Aveiro, sem falsas modéstias, foram cinco contributos, que porventura com volume e intensidades diferentes, concorreram para aquilo que ele foi até há alguns anos atrás.
Relembro, para aqueles a quem, porventura a memória já não ajude, que aos 5 dias do mês de Janeiro de 1995, foi livremente celebrado e devidamente outorgado, por supostas pessoas de boa-fé, um Protocolo de Acordo, negociado pela Associação do Trabalho Portuário (ETP) de Aveiro e Sindicato dos Trabalhadores do Porto de Aveiro (STPA), onde claramente estão regulamentadas as condições, de cuja aplicação deveria ter resultado a admissão de quatro dos referidos trabalhadores, aquando da cessação da actividade da insolvente VOUGAMAR.

Sobre o referido texto, em ocasiões diversas ao longo dos anos, se pronunciaram os dirigentes do STPA, e fizeram-no sempre num único sentido, o da aplicação rápida, directa e imediata do referido protocolo e consequente integração dos trabalhadores.
Ao fim destes mais de dois anos, alguns dos cinco continuam à espera de uma resposta, firme, objectiva, transparente e clara por parte do Sindicato que julgamos dever defender os nossos interesses de um modo veemente.
Ao longo deste tempo já muito se especulou, muito foi dito, por muitos daqueles a quem infantilmente talvez, considerámos como colegas em outras lutas, com quem estivemos solidários, porventura contrariando até aquilo que em consciência entendíamos como o mais acertado.
Infelizmente, digo eu, para todos, só no tempo foi diferente, pois a realidade com que se confrontam hoje este grupo de colegas, já nós passámos/sentimos, sem que nos tenhamos apercebido que algo se tenha realizado com vista a contrariar essa situação.
Quero que percebam estas palavras como um grito de revolta, a juntar aos Vossos, contra uma situação para a qual não contribuímos.
Hoje, com o cenário de insolvência da ETP-Aveiro, a questão da reintegração está resolvida e ultrapassada por natureza, no entanto, não queria deixar de referir a falta de coragem, frontalidade, honestidade sindical e um lamento,… sim um lamento, por não termos podido contar com a solidariedade do Sindicato, que conhecendo a dura realidade das pessoas, se esqueceu dessa condição de seres humanos e não defendeu os nossos interesses, não tendo tido a coragem de responder às nossas perguntas, quando reiteradamente solicitado. Foi claramente um “empurrar com a barriga” a resposta para um dia que nunca virá.
Afinal, uma suposta intervenção da Fesmarpor na altura, com aviso de greve incluído, não passou disso mesmo. Faço votos para que agora a actuação não se repita, e se caminhe num único sentido – o da defesa dos Trabalhadores Portuários de Portugal.
                Acredito que este será um bom Porto, o de Aveiro, no qual não voltarei a fazer escala, no entanto, não se apagarão nunca da minha memória, não só o primeiro, como o últimos dias, mas também os outros que nele vivi, os bons e os maus momentos, as alegrias e as tristezas, os sucessos e os fracassos, os erros, o sol, a chuva, os colegas e os amigos.
A todos, sem excepção, deixo os meus votos de Feliz Natal.”

Jorge Aires
Sócio STPA nº 166 – 01.07.1989

4 comentários:

alvaropericao disse...

Um abraço do antigo colega nº. 146, neste rol somos todos numeros, estao nesto momento a querer fazer aquilo que alguem sempre reclamou, um sindicato unico que isso e que tinha grande força, espero que ja nao venham tarde, tudo isto que esta a acontecer era previsivel. protocolos promessas tudo grandes mentiras, eu sou desse tempo, mamaram o dinheiro de stpa, espero que os cabeças de lisboa (fesmapor) nao levem o resto, nos somos uma minoria, e por conseguinte a abater BOM NATAL A TODOS

EstivadoresAveiro disse...

Colega Álvaro,
é de bom grado que registamos o teu comentário. Não quero que te esqueças que no teu tempo foste dirigente sindical,e se alguém mamou dinheiro do STPA, eu não devo ter sido com certeza.De resto o sindicato único a nível nacional, nesse aspecto dou-te razão já devia ter sido...mas como diz o ditado, mais vale tarde que nunca.
Abraço
E continua a comentar no nosso blog.
Orlando Miguel08

EstivadoresAveiro disse...

Jorge,
não esquecendo que foste meu "chefe" muitas vezes nesses tráfegos malucos de conferencia sempre com muitos camiões diários a sair do porto com guias da VOUGAMAR, depois disto tudo
tenho de admitir que no meu entender, e fazendo eu parte do sindicato de Aveiro, não nos termos da direcção, mas sim do conselho fiscal, devo dizer que também achei que se fez pouco no que diz respeito à vossa situação.Não esquecendo no entanto que aquando da greve que fizemos em 2009 este grupo de trabalhadores não esteve connosco.Mesmo assim sublinho o que disse anteriormente, acho que se fez pouco na vossa situação.
Abraço
Orlando Miguel08

Herculano disse...

Um abraço, para ti Jorge! Li com atenção a tua mensagem, muito bem escrita, e que registamos como um testemunho, da tua experiência e resistência sofrida pelo drama que enfrentaste, juntamente com mais quatro colegas da ex-Vougamar. Festas Felizes para ti e para os teus. Herculano