7 de novembro de 2012

Governo critica estivadores por novo período de greve mas garante que insistirá no diálogo


O Governo criticou hoje os estivadores por terem convocado um novo período de greve nos portos. O ministro da Economia disse que vai insistir no diálogo, mas o secretário de Estado dos Transportes deu a entender que não há espaço para isso, por alegada falta de vontade dos sindicatos. 
Álvaro Santos Pereira, que está a ser ouvido na Assembleia da República  no âmbito da discussão na especialidade do Orçamento do Estado para 2013,  afirmou que pretendia "manter os canais de diálogo", por este ser um setor  fundamental para as exportações. 

O ministro acrescentou que a intenção do Governo é tornar os "portos  mais competitivos" e "ultrapassar a situação que está a prejudicar a economia  nacional".

    Sérgio Silva Monteiro, secretário de Estado dos Transportes, também  presente no parlamento, acusou os sindicatos portuários de "publicamente  apelarem ao diálogo e depois fazerem pré-avisos de greve constantes".
    O secretário de Estado adiantou que ficou "completamente claro qual  é a estratégia que existe de uns, que publicamente apelam ao diálogo e que  depois fazem pré-aviso de greve constantes, e que outros procuram sim perceber  que o quadro económico é um quadro de mudança e de evolução".
    Os estivadores apresentaram um novo pré-aviso de greve que estenderá  as paralisações nos portos portugueses até dia 27 de novembro, confirmou  hoje à agência Lusa fonte sindical.
    As paralisações irão afetar os portos de Lisboa, Setúbal, Aveiro e Figueira  da Foz, disse o presidente do Sindicato dos Estivadores, Trabalhadores do  Tráfego e Conferentes Marítimos do Centro e Sul de Portugal, Vítor Dias.
    A notícia de que os estivadores vão prolongar as greves até ao final  do mês foi hoje avançada pelo Diário Económico.
    Os novos pré-avisos de greve entregues referem-se ao período entre os  dias 21 e 27 de novembro, estando já marcada uma paralisação de 24 horas  para o último dia deste período.
    Até lá, entre domingo e terça-feira praticamente todos os portos portugueses  (à exceção de Leixões e Sines) irão estar paralisados.
    No dia 14, os trabalhadores dos portos irão associar-se à greve geral  convocada pela CGTP.
    Esta onda de greves (iniciada a 17 de setembro) foi motivada pelo facto  do Governo ter aprovado a 13 de setembro uma proposta de lei relativa ao  regime do trabalho portuário, uma semana depois de ter chegado a acordo  com alguns sindicatos, afetos à UGT, e operadores portuários, com o objetivo  de aumentar a competitividade dos portos nacionais.
    Esse acordo vai permitir descer a fatura portuária entre 25 a 30%, de  acordo com o ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, mas os sindicatos  dos trabalhadores portuários entendem que, com esta revisão da legislação,  ficam em causa os postos de trabalho.
    A 26 de outubro, após várias rondas de negociações, os representantes  dos trabalhadores dos portos de Lisboa, Setúbal, Figueira da Foz e Aveiro  e dos operadores chegaram a acordo quanto aos serviços mínimos alargados  para as greves parciais anunciadas até 07 de novembro.
sicnoticias

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