O essencial das negociações entre o Governo e a multinacional
anglo-australiana Rio Tinto, para a exploração de ferro nas minas de
Moncorvo, no Nordeste do país, está concluída e a assinatura do contrato
está prevista para a semana entre 11 e 15 de Junho.
O PÚBLICO apurou que o contrato a assinar, que deverá
representar o maior investimento estrangeiro alguma vez realizado em
Portugal, assumirá a forma de "concessão experimental". Tecnicamente, a
concessão experimental é uma fase intermédia até ao contrato de
exploração final, e visa aprofundar o conhecimento do jazigo, que se
admite ser um dos maiores da Europa. A concessão experimental
apresenta ainda outra vantagem, que é a de permitir adiar as licenças e
os estudos finais de impacte ambiental para a fase em que há certeza
absoluta de que a riqueza é compatível com o investimento necessário.
Esta concessão intermédia permite, assim, diminuir o risco do
investimento, que, tendo como referência outras explorações semelhantes a
nível mundial, poderá ultrapassar os mil milhões de euros.O
grosso do investimento no coração de Trás-os-Montes só será feito na
fase da concessão definitiva, o que deverá acontecer no prazo de cinco a
oito anos. Durante a primeira fase de concessão, já haverá algum
investimento, dado que será feita uma grande movimentação de materiais, a
pré-concentração do minério à boca da mina e o seu transporte para
tratamento definitiva. O PÚBLICO apurou junto de fonte
conhecedora do processo que os estudos recentes sobre a qualidade do
minério "são bastante animadores, apontando para uma mina de classe
mundial". Animadora é também a evolução da cotação de ferro nos mercados
internacionais, que continua em alta. A impulsionar a exploração está
ainda a elevada dependência da Europa em relação a esta matéria-prima,
superando os 90%, o que deixa várias indústrias europeias, incluindo a
automóvel, na mão de fornecedores internacionais.Contactado pelo
PÚBLICO, o Ministério da Economia (ME) não prestou, até ao fecho da
edição, qualquer esclarecimento sobre este assunto. A última posição
oficial do ME sobre este projecto de investimento foi a de que "não
comentava negociações em curso".
Dificuldades de escoamento