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4 de junho de 2015

O CIRCO DE ALGUNS



Mas que grandes palhaços que estes palhaços me saíram. 

Um circo desfeito e maltratado deveria ser o suficiente para manter um qualquer palhaço de bom senso o mais afastado possível.

No entanto o odor esquisito da tinta que alguns palhaços usam para decorar a cara, parece dar a entender que andam por perto. O sorriso cínico dos palhaços, com a pouca luz que ficou do circo desfeito, torna ainda mais sinistro as feições desses palhaços pintados com essa tinta que deixa esse cheiro característico. Palhaços que culpam os outros pelo seu, mais uma vez, “ocasional” próprio sucesso….

Chama-se a este tipo de palhaço, o palhaço malabarista. Sim, porque com malabarismos se passa ao lado da responsabilidade dos outros empregados do circo. Os palhaços criaram a crise, e agora os seus seguidores é que pagam a fatura. 

Como pode o circo mudar, se os palhaços são os mesmos?

E o dinheiro que estes palhaços fizeram com que os clientes do circo perdessem…

Devia haver um médico que conseguisse abrir este tipo de palhaço e tirasse toda a porcaria que estes tivessem dentro deles. Pena não ser assim tão fácil. Enfim, com tanto lixo por dentro, tem uma solução: a de viver num profundo vazio com a vida. Este tipo de situação normalmente acontece a quem é inútil, um falhado ou mesmo um pedaço de nada. Estes palhaços foram vergados pelo palco, não existe mais palco para malabarismos, mesmo assim os malabarismos de fraca qualidade continuam, quando muitos funcionários do circo foram despedidos por causa de tanto malabarismo… Palhaços com falta de criatividade, quando a mudança deveria ter sido…. Pois era!!!

Infelizmente a realidade é o que é, não o que gostaríamos que fosse.

Com diria alguém, um palhaço é igual a outro palhaço, e a outro. Os palhaços gostam de desviar as atenções para os ruídos de fundo para instaurar processos. Os palhaços tem a capacidade de orarem pelo menos 1 hora seguida, e fazerem votações milagrosas. São o tipo de palhaços que nunca se puseram á prova, talvez com o receio da fraca atuação que iam tendo.

Se eu fizesse parte do circo e atuasse em tão fraco número, já me teria queixado ao sindicato dos palhaços. 

No meio de tanto palhaço, aproveito a oportunidade para me despedir deste espaço. Com um muito obrigado a todos que nos acompanharam, e, aos que se serviram deste sitio para recolher mais informação do sector portuário. Um especial abraço para os colegas do outro lado do atlântico, o Brasil. E Monalisa Neves, fico “esperando” o livro. Em relação a perguntas que nos vão chegando via email, fica o compromisso de uma resposta. 

Com tanta palhaçada despeço-me, com um até sempre.

O.Miguel

20 de março de 2014

Programa Marco Polo e o Porto de Lisboa: que visão?

O porto de Lisboa, apesar de sofrer uma forte pressão urbana com uma grande densidade populacional e com todos os constrangimentos que daí advêm, tem necessidade de encontrar soluções complementares que possam minimizar o impacto que o transporte rodoviário apresenta na região de Lisboa, tentando melhorar o escoamento de fluxo de cargas, através de outros modos de transporte, neste caso concreto, o modo ferroviário e fluvial, privilegiando, assim, a possibilidade de expansão no seu hinterland, através da sua integração na cadeia logística.
A intermodalidade com base na ferrovia e no fluvial é sem dúvida o principal meio de descongestionar a rede de infra-estruturas rodoviárias, quer em Portugal, quer no resto da Europa.  Assim, fará sentido pensar que, para o porto de Lisboa, o modo mais eficiente para alargar o hinterland, na medida em que o escoamento de mercadorias via rodovia é hoje maioritario, será o transporte ferroviário e o marítimo/fluvial. A redução do congestionamento e da poluição do ar por coexistir ao mesmo tempo com alternativas viáveis e eficientes para os players interessados, com a criação de plataformas logísticas ligadas ao porto, onde se integrem os vários modos de transporte, em comunhão com um sistema informático logístico comum, numa espécie de plataforma única que integre e possa permitir a expedição intermodal fácil de utilizar, fiável e flexível, facilitando a fluidez da mercadoria, reduzindo a burocracia e tempos de espera, ajudando a descongestionar as infra-estruturas de transportes rodoviárias.

17 de dezembro de 2012

Em defesa dos estivadores, eu me confesso

Para quem já estava farto de tentar impor o respeito aos seus filhos e concluído que nem o Homem do Saco nem o Bicho Papão resultavam, surge agora uma nova esperança com o novo, o horrífico, o mauzão… o Estivador.
Como tenho vindo a constatar que, no caso da greve dos estivadores, os pesos nos pratos da balança entre apoiantes e detractores estão muito desequilibrados, venho aqui deixar os meus 64 kg no prato dos apoiantes. A ver se a coisa fica um nadinha mais equilibrada.
Ao longo das últimas semanas, todos vimos nascer uma nova categoria de monstro. Para quem já estava farto de tentar impor o respeito aos seus filhos e concluído que nem o Homem do Saco nem o Bicho Papão resultavam, surge agora uma nova esperança com o novo, o horrífico, o mauzão… o Estivador.
Honra seja feita ao Governo que conseguiu criar esta nova personagem junto da opinião pública. Bastou lançar uns rumores acerca dos vencimentos e das regalias dos estivadores e, em menos de nada, conseguiu o feito de pôr pessoas, a quem fez tremendos cortes nos rendimentos, a revoltarem-se contra a única classe de trabalhadores que, até hoje, fez alguma frente de verdade ao próprio Governo. Tem havido outras greves e manifestações mas nada que faça o Governo recuar, com excepção da TSU. Quer dizer, quando há manifestações à porta da Assembleia em dia de votação de uma determinada lei, o Governo recua ou avança, mas apenas na hora da votação para não coincidir com a chegada dos manifestantes. Mas isso devem ser coincidências.

9 de dezembro de 2012

Há mulheres no cais

Mas poucas. A estiva em Portugal são eles. Entre os cerca de mil estivadores portugueses, existem apenas 14 mulheres. Dez em Setúbal e quatro em Sines. Quase todas precárias. Juntam-se à luta dos homens e dos efetivos, mas têm uma muito maior para vencer. Margarida Pereira, Isabel Lucas e Alena Ivanova contam como é.
São nove e meia de uma manhã de sol gelado e ao terminal da Sadoport, em Setúbal, vão chegando homens que daqui a umas horas rumarão a Lisboa, para a manifestação internacional de estivadores, onde se distribuirão geribérias às mulheres que passam, se rebentarão petardos e se gritarão palavras de ordem como «Somos nós, somos nós, a estiva em Portugal somos nós»; «Cinco mil euros ganha a tua mãe, cinco mil euros ganha a tua mãe» e outras não reproduzíveis numa revista de domingo como a nossa. Milhares de homens em luta contra a precarização e pela manutenção dos postos de trabalho que consideram ameaçados pela nova lei que regulará o trabalho portuário e que será aprovada na Assembleia da República, apesar da contestação, das greves sucessivas e desta grande manifestação que para lá convergirá ordeiramente. Milhares de homens e uma mulher, Margarida Pereira, estivadora há 13 anos.
Nós encontramo-la, antes, no bar pré-fabricado do terminal da Sadoport, com Isabel Lucas e Alena Ivanova, colegas de estiva. Das três, é a única que vai à manifestação. Isabel tem uma consulta médica a que não pode faltar e Alena diz, em jeito de brincadeira, que já levou muita «porrada», não quer levar mais. Adiante na conversa, Margarida, precária como todas as colegas mulheres a trabalhar no porto de Setúbal, ganhando ao turno, com contratos ao dia, há-de reconhecer que a sua luta é outra, mais profunda, mas antes há que travar esta, porque, com a nova lei, a precariedade pode agravar-se ainda mais. E é por isso que se junta à contestação dos colegas efetivos.

I’AM A DOCKER – Oliveira Dias

Escrever sobre o Porto de Lisboa é algo que me suscita sentimentos muito fortes, fruto de uma vivência como trabalhador numa operadora portuária (Sonatra, Socarpor e Listráfego), e na qual ingressei em 1981.
Está bem de ver que a motivação para este tema surgiu da circunstância da chamada greve dos “estivadores” em Portugal. E se o temo “estivadores” está entre parêntesis isso deve-se a uma confusão, derivada de uma generalização por efeito de halo.
Para se perceber o quadro, é necessário recuar no tempo, até ao ano de 1981, altura em que pela mão do meu pai (uma cunha claro) ingressei no quadro da SONATRA, operadora portuária no domínio de carga e descarga de navios, em Lisboa.
O meu pai era trabalhador portuário há já muitos anos, tendo iniciado na saudosa CNN – Companhia Nacional de Navegação. Tenho a imagem da minha mãe que, comigo e o meu irmão, crianças, levava o almoço ao meu Pai, e muitas vezes o jantar, porque, sendo ele manobrador (manobrava empilhadores), não raras vezes tinha de comer na própria máquina, o mais rapidamente possível porque o trabalho não parava. O ritmo alucinante de “non Stop” foi regra durante muitos anos.
A ausência de um pai agarrado ás máquinas para prover o sustento da família, a imagem dos empilhadores que me empolgava, o roncar dos motores diesel, as movimentações na “prumada” (no cais), o vocabulário vernáculo daquela gente, rude, “faca na liga” e “canhão” ou “boca negra” na cintura, os navios enormes, pretos, cuja dimensão era até onde a vista de uma criança alcançava, etc, tudo isso era o Porto de Lisboa para mim.

17 de novembro de 2012

Quem manda sou eu.


Já há algum tempo que escolhi a revista Sábado para poder acompanhar as notícias, mas vou deixar de o fazer. Não posso continuar a ler uma revista que não fala verdade.
 Já tinha acontecido uma vez em que a Sábado escreveu sobre o que aconteceu no chiado a 22 março, numa manifestação onde alguns jornalistas levaram com a carga policial e um estivador de Aveiro foi detido. O título da reportagem era “Afinal a culpa foi de um estivador “e no dia seguinte este colega foi ouvido em tribunal e os próprios policias que o detiveram foram a tribunal dizer que nada do que era acusado correspondia á verdade (e eu disse isso ao jornalista da Sábado), de nada adiantou, a reportagem saiu com um título que nada tinha de verdadeiro.
Nesta semana voltou a sair uma reportagem com o título “quem manda são eles “onde diz que “só eles podem manobrar os camiões”… entre outras inverdades. Para que fiquem a saber em Aveiro só há um estivador que manobra camiões, e fá-lo quando não é chamado para trabalhar e porque o sogro  tem uma empresa de camionagem. Este colega de nome Paulo, assina um contrato ás 08:00h e ao fim do dia está despedido, até assinar outro contrato que o despede quando acaba a tarefa para que foi contratado e como ele existem mais 20. Diz a reportagem “E se começarem a descarregar um navio não podem ser substituídos “mais uma mentira entre muitas desta reportagem.

4 de novembro de 2012

Estivadores lutam contra a Troika e defendem o Estado Social (Raquel Varela)

O debate sobre a greve dos estivadores tem sido escasso. Mas um dos raros locais onde é feito, de forma polémica, é neste blog, o único lugar em toda a esquerda portuguesa onde partidos e tendências de todo o espectro da esquerda realmente debatem. Aqui, e em mais lugar nenhum, posições distintas, são confrontadas. O Tiago Mota Saraiva escreveu um post que creio suscita ainda mais debate: para prestar homenagem a Francisco Louçã, no mesmo, post, acusa os estivadores de serem «endeusados» e terem nas suas hostes «importantes núcleos de extrema-direita». Eu tenho uma opinião um pouco distinta que aqui partilho para que o debate contínue:
A acusação grave de que os estivadores têm nas suas hostes «importantes núcleos de extrema-direita» é tão séria que devia, creio, ser sustentada com factos: quem são esses núcleos importantes, quantos são, a que organização estão ligados, o que dizem os dirigentes sindicais dos estivadores desses núcleos «importantes» de extrema-direita? O que diz a CGTP sobre a greve que apoia, que tem «núcleos de extrema-direita»?

19 de outubro de 2012

Vítor Caldeirinha - Greve no porto de Setúbal pode afastar linhas de contentores em definitivo

A greve que tem estado a decorrer na atividade portuária afeta apenas os grandes portos de Lisboa e Setúbal, estando a trabalhar normalmente os portos de Viana do Castelo, Leixões, Aveiro e Sines.
A greve tem como objetivo combater a nova Lei do trabalho portuário que permite que as zonas de atividades logísticas e armazéns que venham a existir no futuro junto aos portos não sejam obrigadas a contratar mão de obra da estiva.
 Independentemente da justeza das posições de cada um dos lados, é um facto que, dos grandes portos nacionais, apenas os portos de Lisboa e Setúbal são afetados.
 A greve está a afetar um dos turnos diários, todos os dias, reduzindo a metade a capacidade dos terminais e criando enormes filas de espera de navios, levando mesmo navios e linhas marítimas regulares de contentores a desistir de esperar, pois não podem perder a marcação de cais que já têm nos seus diversos portos de escala da linha, pelo que não podem esperar. A compressão do tempo na logística e no shipping dos contentores não permite hoje esperas dos navios por cais livre em nenhum porto.
 Ou seja, os navios de contentores que escalavam Setúbal até ao Verão, estão a optar por outros portos, como Leixões ou Sines.

12 de agosto de 2012

A TODOS COLEGAS E CAMARADAS PORTUÁRIOS

Caros camaradas,
Estamos a viver o pior ataque á nossa profissão, que a minha memória consegue alcançar. Será preciso recuar muitos anos, mesmo até ao anterior regime, para perceber qual o alcance deste “draft/projecto-lei” que agora nos querem impor.Estes senhores desconhecem totalmente o trabalho por nós desempenhado nos portos, e desconhecem também a forma como cada um de nós vive o dia-a-dia laboral.
Alegam rigidez nos horários, e na organização, é caso para perguntar “CONHECEM A REALIDADE?”
Por acaso, sabem, que os Trabalhadores Portuários, estão disponíveis 24 horas por dia para o trabalho nos portos; Por acaso, sabem, que os Trabalhadores Portuários, não vêm crescer os filhos; Por acaso, sabem, que os Trabalhadores Portuários enfrentam diariamente, adversidades múltiplas, tais como intemperes e riscos de vida; Por acaso sabem, que os Trabalhadores Portuários, dão o melhor de si, e fazem-no com paixão.
Um dia, um Estivador, nas suas memórias, escreveu “ADOPTEI HÁ MUITO A PROFISSÃO DE ESTIVADOR COMO SENDO A MINHA CARA, A MINHA VIDA E A DOS MEUS,QUASE COMO ENCANTOS E BELEZAS NATURAIS”. Esta paixão de José do Nascimento Alves, é comum a todos os Trabalhadores Portuários. Nada mais certo, a nossa família portuária, encanta no trabalho, no convívio e nas lutas pelo emprego. Chegou o momento crucial de unidade, vamos provar no terreno, que o “falso insucesso dos portos”, nada tem a ver com os Trabalhadores. Somos responsáveis, pretendemos o fortalecimento da economia Portuguesa, mas não nos reduzam o âmbito de intervenção, pondo dessa forma o nosso emprego em risco. Iremos defender aquilo que é nosso- a nossa profissão.
Na próxima 3ªfeira, 14/08/2012, associaremos o dia de greve a um dia de unidade. Vamos estar juntos e discutiremos o nosso futuro responsavelmente.

Aos colegas, que de uma forma ou outra, não se revêm nestas posições, pensem, pensem bem, pois provavelmente será a derradeira oportunidade. Isto é um ataque a TODOS OS TRABALHADORES PORTUÁRIOS, não pensem que vos irá passar ao lado- É UM ERRO. Ainda estão a tempo. Apareçam.

VIVA OS TRABALHADORES PORTUÁRIOS, FORÇA PESSOAL.

António Júlio-Trabalhador Portuário em Aveiro

25 de março de 2012

Bitaites escrito por Marco Santos

Caros ativistas, revolucionários e justiceiros do Anonymous Portugal: as fotos que vocês divulgaram como sendo a de «polícias infiltrados» nas manifestações são a de estivadores do porto de Aveiro.
A demonstração de que vocês se enganaram está a ser feita por todo o lado, incluindo nas vossas próprias páginas e no blogue dos estivadores, mas ainda estamos todos à espera de um desmentido tão visível como a «denúncia».
Se experimentassem remover as máscaras da Warner Brothers mais vezes, ganhariam em amplitude de visão o que possivelmente perderiam em pintarola – mas seria um sacrifício justo, uma vez que este assunto dos polícias infiltrados é demasiado importante para ser prejudicado por acusações levianas e infantis.
Aqueles homens são trabalhadores com as suas próprias lutas a travar, estiveram uma semana em greve e até foram entrevistados pelo jornalista da TSF Rui Tukayana, outro que também os reconheceu como estivadores e não como polícias à paisana.
Não te esqueças, Anonymous Portugal, é injusto que estes inocentes sejam associados a práticas que geram ódio e ressentimento só porque a tua vaidade e orgulho te impede de reconhecer publicamente que fizeste merda. E não insultes inteligências alheias garantindo agora que nunca acusaste ninguém, como já li várias vezes. Lembra-te das imortais palavras do tio do Peter Parker: «with great power comes great responsibilities».
E a propósito de máscaras: considera largar a de Hollywood e criar antes uma deste senhor

21 de março de 2012

O último plano


O sol acariciava o bonito início de tarde no porto de Aveiro, esse local multi-étnico onde se cruzam o homem a terra e o mar. Ainda nos falta para chegarmos ao último plano da carga de pasta de papel. O calor obriga-nos a uma difícil respiração, e o último plano já me esta a ressoar na mente, pois esse é que me vai fazer abraçar a brisa fresca, depois de quase ter sido assado pelo implacável sol. Até este momento já o silencio se  instalou no porão, pois o que nós procurávamos eram os centímetros de sombra que se faziam sentir na amurada de bombordo, e onde uma muito ligeira aragem fresca corre pela amurada abaixo, e morre a meus pés. E lá vem a lingada que nos vai dar acesso ao ultimo plano, aquele que nos vai deixar rever novamente a malta que anda pelo caís, as máquinas, camiões, barulhos etc…Já em cima, do chamado último plano, ai está a brisa fria e agreste de fim de tarde que vem do norte, com ar carregado de aroma da maresia. Dum lado, o terminal sul do porto de Aveiro, a azáfama do costume na encruzilhada de camiões e máquinas, esse movimento que para quem não está habituado parece um movimento negligenciado. Do outro lado, o vasto lençol de água, já agitado pelo vento que nos visita vindo do norte e provoca a bruma que solta esse aroma tão nosso conhecido. Durante o decorrer da carga do último plano vou contemplando a paisagem, deixo-me levar pelos movimentos das brumas, e dou por mim a olhar para o outro lado da ria. Onde posso ver uma fiada de pinheiros, marinhas de sal, muitas já ao abandono, algumas que deram lugar aos viveiros e uma pequena língua de areia branca. Mesmo na nossa direcção os restos mortais de uma pequena casa de marnoto que teimou em ruir, como que a pedir ajuda . Logo ao lado aprisionado pelo tempo e pela ria, o poste de alta tensão, esse verdadeiro sentinela do tempo desde à 19 anos. E o plano já vai a quase no fim, essa agradável sensação do dever cumprido e de mais uma vez termos superado as previsões. A maré já mudou de direcção, e só faltam duas lingadas para sentir os pés novamente em terra. E lá vem a ultima…desengata diz o encarregado, its ok? , pergunta feita ao oficial. Yes, it´s ok. E um derradeiro olhar é lançado no último plano com orgulho em mais um dia de trabalho. E já com a entranhas preenchidas pela carga, o cargueiro torna-se visita dos fotógrafos…feitos os registos em fotos…dizemos adeus a mais um dia no porto.

Cumprimentos
08

14 de março de 2012

Carta aberta aos estivadores selvagens

Caros estivadores selvagens, dirijo-me a vocês desta maneira porque trabalham na estiva mas, como em todos os casos, é possível que nem todos os estivadores tenham o vosso espírito rebelde. Chamo-vos selvagens no melhor sentido da palavra; para mim, selvagem é como rebelde, indomável, insubmisso. Do que conheço de vocês, colectivamente têm tido essa força.
Estou a escrever-vos porque quero dizer-vos algo, assim como quero que esse algo seja lido e reflectido por mais do que os receptores directos desta carta.
Estamos todos a ser encostados à parede: pela economia, pela burocracia, pela polícia, pela repetição sufocante de momentos que nos são impostos. Se há territórios como a Grécia onde a resposta tem colocado as instituições em cheque, em Portugal a verdade é que, salvo raras excepções, temos sido piegas. A resposta é tão branda, inócua e controlada que o filha da puta do Passos se dá ao luxo de gozar com ela. E o problema é que tem razão.
Ainda assim, aqui e ali vai surgindo algo, um fôlego que tenta encher-nos os pulmões: na resistência ao ordenamento do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e da Costa Vicentina, nos ataques às portagens, na interrupção das negociações entre sindicatos e patronato da TAP, nas repartições de finanças atacadas, no cerco ao hospital de Valpaços sob ameaça de enncerramento. Precisamos de tudo para fazer frente ao aperto estamos a sofrer – precisamos também de rejeitar as instituições que nos querem aproveitar. Por uma questão de dignidade.
É por isto que vos estou a escrever. Porque se mantêm, ao longo dos anos, fortes e rebeldes. Porque obrigam o sindicato a fazer o que vocês querem. Porque rejeitam a representação mediática. Porque desobedecem à CGTP e aos outros “representantes dos trabalhadores”. Porque são um ponto de referência para outras pessoas que não se revêem na política, nem na cedência, nem na delegação. E é por serem esse ponto de referência que tanto o serviço de ordem da CGTP como os paisanos da bófia, têm tanta preocupação em flanquear-vos nas manifestações. Para se assegurarem que não se protejem uns aos outros quando a polícia tenta identificar alguém, para vos isolarem do resto das pessoas, com medo de que as vossas palavras contagiem o protesto e o barulho dos petardos rebente os tímpanos da lei e da ordem.
Num território em que colectiva e publicamente somos fracos, vocês são um dos casos que inspiram outros e mostram que nem todos estamos mortos. Por isso vos peço que continuem assim, que não se deixem comprar por patrões nem manipular por burocratas sindicais. Que mantenham a vossa rebeldia e independência.
Que todo o espectro político perca a força de controlar quem sai à rua, que todos saibamos estar sem partidos nem sindicatos, uns com os outros, apoiando-nos contra quem nos quer ver miseráveis, presos ou domesticados. Que saibamos ganhar a nossa força, porque precisamos dela e precisamos de encontrar os momentos, colectivos e individuais, onde a aplicarmos e aumentarmos. Nas grandes manifestações ou nas pequenas acções. Que todos saibamos ser uma referência uns para os outros e alimentemos de alegria estes corações que líderes e burocratas querem ver parados.
Um dos que a 11 de Fevereiro preferiu ouvir os petardos do que os discursos.
Fonte: indymedia

13 de março de 2012

“Não é o mais forte que sobrevive, mas o que melhor se adapta às mudanças”


A luz límpida da manhã e o ar fresco com cheiro a maresia, acompanhou-nos no encontro de trabalhadores em dia de assembleia  de credores da empresa ETP. Através dos anos fomos escrevendo uma história, e este teste à nossa seriedade, esta estranha forma de se ser estivador e a turbilhão de ideias está a afectar a nossa reputação. É como se algo nos tivesse sido roubado. Vejo-me como uma pessoa que viveu na adolescência sem pertencer ao mundo que me rodeava.  E agora ao apreciar esta nossa situação, partilho o mesmo sentimento. Até porque só costumo ver destas noticias na TV. Tenho a sensação de não passar de um simples espectador que vê esta notícia na televisão, como se nada disto me dissesse respeito. No porto existe (ia) a ilusão de que os estivadores estão bem na vida, isto é dito muitas vezes por pessoas cá de dentro que o dizem simplesmente para não se sentirem perturbadas com a realidade incómoda. Cometemos erros no passado? Não podia estar mais de acordo, espero não voltarmos a errar no mesmo. Existe uma nuvem sombria que nos tolda o entusiasmo e como não podemos viver em permanente desassossego, temos de procurar conforto em pensamentos bons. Após o encontro e considerando as várias alternativas, partimos para o tribunal em Aveiro, informados pela Dra Rita Garcia Pereira dos cenários possíveis. Entendo que hoje foi o início para se chegar a um fim.  E como ninguém cobiça o que não sabe que existe…  

Cumprimentos a todos 
08

17 de janeiro de 2012

O porto apresenta um ar tranquilo.

Depois desta paragem a que praticamente fomos obrigados, e de começar a assentar nos carris da rotina, posso ser conduzido a uma falsa conclusão. Estas experiências sucessivas a que fomos sujeitos fizeram com que se comece que a pensar no destino a que este trilho incerto nos pode levar. O trabalho que antes nos cegava, tornou-se agora numa desagradável sensação oca, de esvaziamento. Este é agora o duro conforto da realidade, e eu pergunto-me se os problemas da ETP alguma vez desapareceram. Não me parece, foram apenas camuflados pelo trabalho que existia no passado aqui no porto de Aveiro. Mas o que é realmente a ETP para as empresas de estiva? As expectativas e a forma como os conflitos foram geridos no porto? No meio desta barafunda toda, que confiança tinha o trabalhador na proposta do patrão para abandonar o sector? Toda alguma coisa tem de ser falsa, não acham? Com todos estes silêncios estranhos, contradições e omissões, responder a todas estas perguntas, requer um grande esforço de imaginação e um amplo recurso à especulação. Estamos a atingir um ponto sem retorno, e posso estar enganado, mas nós temos de encontrar uma solução que mesmo que não sendo perfeita, poderá vir a ser uma solução possível. Não podemos viver na ilusão de que as coisas irão melhorar milagrosamente. No entanto e pegando no tal rácio de produtividade tonelada/homem, pergunto-me porque nunca se entrou em lay-off ? Neste caso, a empresa deixava de suportar o pagamento da totalidade do salário, passando a ser responsável apenas por 30% desse valor e o restante do valor era assegurado pela Segurança Social. E assim os trabalhadores combinavam entre si que períodos de trabalho faria cada um. Se o tal rácio já era assim tão baixo na altura, porque não ter entrado em lay-off?Até uma empresa que ardeu,(SICASAL) conseguiu voltar a erguer-se e nós neste sector, não conseguimos?
Já agora, pergunto se anda por ai alguma factura portuária em circulação a ver o que de mais caro ela contém?Fomos tentando enfrentar a realidade, enquanto alguém sabia disto e não quis saber, e agora pura e simplesmente nos quer jogar fora. Cabe-nos a todos, pesar e analisar as contradições e as inconsistências das partes, e no futuro que rapidamente se aproxima, decidir…( sacrifício da nossa parte...,vamos todos...,ou vamos sozinhos...?)

Cumprimentos a todos 08

29 de dezembro de 2011

A mística da Estiva de Aveiro


  Um dia perguntaram a um antigo treinador do Benfica o que era a mística do clube. Ele respondeu com um discurso ainda hoje lembrado por muitos benfiquistas, destacando o profissionalismo dos seus jogadores e os extraordinários adeptos.
Pergunto eu… e a mística da Estiva em Aveiro? Existe? O que é?
Eu digo que existe. Foi passada dos mais velhos para os mais novos; nalguns casos de Pai para filho e até do pai para filho que mais tarde já pai passou novamente para o seu filho (3ª geração). Mas afinal o que é a mística da estiva de Aveiro? É o profissionalismo que existe nos estivadores de Aveiro e que sempre existiu, é não sabermos trabalhar a um ritmo normal pois trabalhamos sempre à pressa querendo fazer tudo bem o mais rápido possível. Quem não se lembra das “corridas” de empilhadores nas descargas de varão de ferro da já extinta empresa Vougamar das oito da manhã até a meia noite?. Ou os pequenos “concursos” onde se tentava ser o primeiro a deslingar, muitas vezes ainda a lingada vinha no ar já tínhamos as mãos prontas para que no instante imediato em que esta tocasse no chão era uma questão de segundos para dizermos “ do meu lado já tá!”, ou “deste lado vira”? Ou da luta nos navios de peixe congelado a temperaturas negativas em que as duas equipas “competiam” com o objectivo de fazer a palete mais alta? Quem não se lembra de recordes batidos atrás de recordes em números ( apenas o que interessa a certos ilustres) nas cargas e descargas? QUEM NÃO SE LEMBRA DE TERMOS FEITO MAIOR PARTES DAS VEZES MUITO MAIS DO QUE NOS ERA PEDIDO?! Já agora que falo nos navios de peixe congelado….sim podia ser um serviço duro e que não gostávamos muito de lá calhar, mas fazíamo-lo com alegria e com o profissionalismo habitual. A Alegria ainda era maior porque sabíamos que nesse dia iríamos sair um pouco mais cedo do que o habitual. Nesse dia íamos sair às 20h e não às 24h do costume. Era um dia especial pois podíamos aproveitar para estar um pouco com a namorada/esposa/filhos, ao contrário dos outros dias em que trabalhávamos das 8h até as 24h. Quem não se lembra de estar disponível dezasseis horas por dia para trabalhar? Muitos de nós nem viram os filhos crescer; era pouco o tempo passado com a família; outros outrora ainda bebes/garotos/adolescentes também pouco viam o seu Pai pois este era Estivador.

16 de dezembro de 2011

E se alguém...?


E se alguém nos quiser fod…?E se alguém não percebeu que nós já percebemos isso? E se alguém não perceber que a estiva é a nossa casa? E se alguém não souber que a estiva é o nosso oxigénio? E se alguém não souber que é a estiva que nos alimenta? E se alguém não se lembrar que já fomos vergastados pelo sol dentro dos porões? E se alguém já se esqueceu que já fomos regados pela chuva? E se alguém se esqueceu das horas que passámos na estiva? E se alguém não quiser saber da rudeza que é o nosso trabalho? E se alguém pensa que fica com as glórias sem as merecer? E se alguém pensa que este mistério faz algum sentido? E se alguém pensa que tem vindo a crescer para ocupar o nosso espaço? E se alguém se esqueceu que nós sempre abraçamos as nossas funções? E se alguém olha para nós e não nos vê? E se alguém não souber o que é ser estivador? E se alguém se esquece que nós inalamos com prazer a nossa profissão? E se alguém pensa que nos faz descrentes? E se alguém pensa que nós nos vendemos? E se alguém gosta da troca de argumentos enjoativa? E se alguém teima em não nos mostrar o lado bom desta profissão? E se alguém se esqueceu que passámos aqui a juventude? E se alguém se esqueceu que passámos dias sem ver as nossas namoradas, esposas e filhos? E se alguém se esqueceu que nós ajudámos a dar nome a este porto? E se alguém não entende que o porto é o nosso convívio?  E se alguém tem duvidas de que nós cumprimos a nossa missão? E se um dia alguém ficar consciente disto tudo…?

Cumprimentos a todos
08

8 de dezembro de 2011

Cronica do "PADRE MIGUEL"


Volto aqui hoje ao fim de algum tempo, pois decidi escrever um pequeno texto, espero que sirva para reflectir-mos ou então como desabafo que seja, de alguém que procura apenas um pouco de paz e sossego.
Sou sincero nem sei por onde começar, aquilo que me assombra é de tal maneira triste e de uma desilusão pura.
Para quem me conhece e sabe um pouco da minha pequena história, nada do que se apresenta na nossa frente neste momento me causa nada mais que um desrespeito pela dignidade humana, pessoas sem qualquer ética e valor moral pela vida. Digo isto porque ultrapassei uma fragilidade na minha vida que se calhar para muitos seria o fim. Sim uma grande fragilidade que tem levado já alguns colegas nossos seja por que razões não tiveram a mesma sorte que eu. Consegui vencer um cancro, lutei pela vida e não deve haver neste mundo maior guerra, maior terror do que perdermos a vida. Esta capacidade está presente em todos nós, nos momentos mais difíceis conseguimos arranjar força onde nem pesamos que ela possa existir.
Agora fugindo um pouco ao que estava a escrever, temos de fazer como os americanos que tantos filmes já fizeram filmes sobre o fim do mundo, nesses momentos não interessa a religião, cultura de cada um, cor, politica, conseguem unir as forças de todos para combater e lutar pela vida por um mundo melhor.
Nós não sabemos o que o futuro nos reserva, mas uma coisa é certa depende também de nós procurarmos por ele e a maneira que temos é sermos unidos, justos uns com os outros e fieis aos nossos princípios.
Não vamos desistir assim como eu não desisti, vamos dar as mãos nesta quadra que se avizinha, podemos não ter os presentes todos de que gostaríamos mas temos a vida, os nossos amigos e família.
Que Deus nos abençoe a todos e um FELIZ NATAL PARA TODOS.
….PS…… para quem nos quer mal também, pois aos olhos de Deus somos todos iguais.

1 de dezembro de 2011

Caldeirão de intrigas?


Trabalho realizado das 0:00/7:00 fez com que a noite fria já fizesse sentir a época natalícia, com dezenas de postes de iluminação como se de uma grandiosa árvore de natal se tratasse, e com o farol a cintilar lá no fundo como se fosse a estrela no cume da árvore. Quando somos novos tudo parece lento, não ligamos ao que nos rodeia, e isso vai mudando com a idade. E eu muitas vezes ponho a mente a vaguear pela vida e pergunto-me como vim aqui parar. Apesar de tudo, vim ter com gente normal que um dia escolheu um estilo de vida baseado na disponibilidade e eficácia, na habilidade e no companheirismo. Acredito que são as pessoas que fazem os lugares e sem esta grande equipa que é a comunidade portuária, o porto de Aveiro não funciona. Em minha opinião, não podemos resistir a modelos inovadores, e acho que temos de lutar contra o que está estabelecido e mostrar que existe uma maneira melhor, e ilustrar algumas situações que podem dar uma nova solução para problemas que vão surgindo, e defender sempre o colectivo sobre o individual. Estamos a ficar fartos de argumentos manipuladores e de conversa de circunstância. Como disse DESCARTES (o homem é um ser imperfeito mas tem em mente que é o ser perfeito) e neste jogo do empurra jamais vamos ter estabilidade no porto de Aveiro. Vamos dando algumas alternativas que não vão sendo aceites sabe-se lá porquê…o regresso à normalidade não depende apenas da vontade de quem aqui trabalha. Alguém criou uma firme convicção em algumas pessoas quando falaram em afastamentos do sector e não podemos entender que nos dêem dinheiro para nos afastarmos do sector e não nos paguem o subsídio de férias. A fúria vai crescendo em alguns colegas como um F1 que ganha velocidade, mas vamos ter calma e esperar pelo que temos direito e não fazer asneira. Os estivadores são uma grande equipa, a nós pertence a carga e a descarga dos navios que nos visitam. O porto é que nos une, o barco é que nos coordena nos milhões de toneladas que carregamos e descarregamos. As exigências são cada vez mais e rigorosas e variam os tipos de materiais, e à que respeitar a segurança das operações e não colocar em causa a integridade física.Estamos organizados, pois a transformação tecnológica vai-nos obrigando a isso. A organização sindical e as suas assembleias como decisão, fazem com que os estivadores sejam cada vez mais trabalhadores de capacidades polivalentes. E apesar da falta de formação estamos conscientes do grau de competitividade no sector.

Cumprimentos a todos
08

3 de outubro de 2011

Por...José António Terroso Modesto

Quando observamos, na praia de Matosinhos, um navio a afastar-se da costa, navegando mar dentro, na brisa matinal, estamos perante um espectáculo de rara beleza.
O navio, impulsionado pela força das máquinas, vai ganhando o mar azul que nos parace cada vez menor. Não demora muito e só podemos contemplar um pequeno ponto branco na chamada linha remota e indecisa, onde aí o mar e o céu se encontram.Caros Amigos, todos nós observamos o navio a sumir-se na linha do horizonte, certamente todos nós exclamamos "já se foi"...terá sumido?
Não, certamente o perdemos de vista.O referido navio continua do mesmo tamanho e com a mesma capacidade que tinha quando estava próximo de todos nós, no seu porto, no porto de Leixões-continua tão capaz quanto antes de levar aos portos de destino as cargas recebidas.O navio não se evaporou, apenas não o podemos ver mais, cumpriu a sua missão, olhe que ele continua o mesmo, e talvez no exacto instante em que alguns de nós dizemos "já se foi", haverá outras vozes, mais além que afirmam "lá vem ele", e com este espectáculo de rara beleza que é a partida e chegada do navio, a vossa expressão, tal como a minha, é só uma, sorrir já que o navio de que todos nós gostamos, nunca morre, apenas parte amoooontes de nós.
É a partida de alguns...é a chegada para outros...
Jose Antonio Modesto


6 de julho de 2011


Aproximam-se medidas, a muito curto prazo que vão prejudicar um debate útil e necessário.
Estas medidas vão ter que mobilizar todas as pessoas ligadas ao sector e principalmente os Trabalhadores Portuários. Conseguir mobilizar todos para uma reação é uma tarefa da maior importância, mas na minha opinião, essa mobilização já devia estar em andamento, face ao que se aproxima. No memorando da Troika no ponto 5.27 diz:
Rever o quadro legal que rege o trabalho portuário para o tornar mais flexível, incluindo estreitamento da definição do que constitui o trabalho portuário, aproximar o quadro jurídico das disposições gerais do Código do Trabalho.Temos alguns problemas no Porto de Aveiro, falta de trabalho será atualmente o pior dos problemas, mas normalmente quando existe um problema tenta-se resolve-lo, não agrava-lo, como parece estar a acontecer em Aveiro. Num momento de decisões aparecerão propostas más e outras menos más que depois de discutidas, poderão dar algum resultado.Existem três cenários no porto de Aveiro, uma empresa com investimentos consideráveis que terá algum interesse que as coisas se resolvam ou pelo menos não piorem mas continua a adiar a resolução dos problemas. Outra que sem grandes investimentos está a adiar a resolução dos problemas para ver onde poderá ser beneficiada com as novas imposições do novo Governo.
Depois existe outra que ainda está pior a E.T.P., pois é a junção destas duas, que não faz nada sem que as duas partes se entendam, e aqui poderão existir dois cenários, ou não se entendem ou entendem-se muito bem e estão a remar no mesmo sentido.